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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Todos os dias

Teu cheiro cobriu o meu ar e, de repente, me vi tomada num frenesi de memórias. Um passado de sonhos vividos diariamente, de caprichos e vontades realizadas em troca de um olhar de gratidão. Noites em claro mirabolando surpresas que despertem sorrisos, beijos, abraços e uma explosão de paixão. E em outras vezes, em dias não-especiais, um  buquê de flores no meio da tarde e em seguida um telefonema que costumava dizer "é só pra reforçar o pedido, você aceita namorar comigo?". Sempre dosado, me conhecia como se tivesse dentro da minha alma desde sempre.
A gente sempre se apega em bens materiais, mas emoções são tão mais marcantes... nossas fotos antigas me dão frio na barriga, levam a minha cabeça para os lugares que visitamos poucas e muitas vezes. Lembranças que vem do cheiro de uma rosa, um perfume, do seu prato predileto. Vontade de te ligar porque 'ah, acho que você riria disso ou daquilo', só porque vi e achei sua cara. Ou mesmo uma canção, a nossa canção (as nossas canções) que já nos fizeram sorrir, chorar e comemorar.


É um desejo enorme de me sentir viva, de ser real e ter um sentido real para continuar: fazer-te feliz. Momentos vividos e inesquecíveis que fazem a minha vida mais alegre. E sonhar contigo, com isso se equivale aos sentimentos que demonstro ao lembrar de tanto momento bom. E, nos dias em que acordo de um sonho que tive contigo, abro os olhos e um sorriso, esperando o dia em que acordarei contigo, te fazendo carinho e aninhando meus cabelos em seu peito. Poder te chamar de meu amor. E poder fazer lembranças novas, todos os dias, sentindo o teu cheiro. 

sábado, 7 de junho de 2014

Sobre o nada (sendo tudo)

Lágrimas.

Não sei direito o motivo pelo qual estou chorando, mas eu juro que não queria que elas caíssem. A verdade é que me enfiei nesse sentimento e acabei sozinha, afogada, sufocada, magoada e em lágrimas. A dor do esquecimento, dizem muitos, é desnecessária porque todos vamos ser esquecidos um dia.. A vontade de ser especial se faz óbvia, por motivos extremamente óbvios. Mas, e o amor? Que tipo de desculpa vou inventar pra sentir o amor e sentir o medo de quem eu amo me esqueça e morrer de vontade de ouvir dessa boca que eu conheço tão bem um "você é especial"? 

E o orgulho? Engulo? ...


O amor da minha vida errou e acertou e me amou e me feriu. E depois de tanto, sinto como se tivesse que amá-lo incansavelmente até o fim da vida. Com o peito cheio de amor e o olho cheio de lágrimas, num labirinto sem saída de momentos felizes numa vida triste, é onde me encontro agora. Só vejo a solidão partindo de encontro a mim. Só sinto o enforcar de uma corda no pescoço a cada vez que meus olhos encontram os seus. Nosso encontro é fogo, nós somos pólvora.  

quinta-feira, 20 de março de 2014

Para, menina.


Ei, percebe uma coisa, menina: você ainda tá jovem. Não para no tempo, achando que isso é o fim do mundo, porque se você desistir agora, de que vai valer o teu esforço até aqui? Sobre aquelas noites mal dormidas, esquece. Sobre aquele choro mansinho e aquele miado baixinho que você deu, pra ninguém ouvir, apaga. Não é assim que se constroem as coisas. Coloca aquele sorriso lindo no teu rosto, menina. Você é radiante. Você tá radiante hoje, também, com esse sorriso torto, cabelo desgrenhado, roupa amarrotada. Quem foi que te disse que pra estar linda, precisa mudar tua essência? Sortudo é quem tem você por perto.
Já te disse que é transparente, né? E é por isso que me apego tanto à sua força de vontade de estar bem, sorrindo, buscando a paz. Sei dos traços do teu sorriso e sei quando é que tá tentando esconder um pouquinho do choro. Adoro quando faz piada das tuas dificuldades e sempre sorri quando almeja um futuro melhor. Ou quando uma criança sorri. Ou quando fala de alguém que realmente quer bem. Essa tua simplicidade me encanta. E tua transparência também. Você é linda e sabe o que é mais lindo nisso? Sua alma brilha pra além do seu corpo. De longe dá pra te ver chegando e me alegrando. Por isso calma, menina. Tá tudo se ajeitando - a passo de tartaruga velha e pesada, mas tá - e eu ainda não sei como, mas o teu meio feliz vai me fazer muito feliz um dia. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Partiu


Dia desses, você disse que eu poderia correr atrás do meu caminho. E que tava mais nem aí pras minhas lágrimas. Disse também que ia ser o bicho que pensava que eu pensava de você. Tava aqui lembrando disso. Agora tá mais claro... pra mim, sabe. Depois que comecei a enxergar melhor, ficou bem claro que não me adiantaria nunca prender você aqui só porque eu te amo. E sim, eu te amo. Ou me acostumei contigo, sei lá. Mas olha, isso não te impede de ir, se quiser. E aí, lembrando daquela noite terrível, abri os olhos pra um tantão de coisas. Bem grande. E aí que não vale nada ser importante pra alguém. E que a decepção é a mesma. E isso me abriu outro tantão de leques indescritíveis, onde senti várias pontadas de dor, pra bem depois sentir o vento no rosto. Tirei uma pedra imensa do meu campo de visão, sabia? E entendi porque nada tinha dado certo mesmo: porque nunca deu, de todo jeito. E doeu. E doeu. E, mais uma vez, doeu.
Não é bem você quem tá livre agora, sabe? Porque na verdade, lá no fundo, eu me prendia muito mais. Tive mesmo que sair do problema pra analisar de outros ângulos... e simplesmente pasmar com a conclusão. Não tem mas, nem meio mas: é preciso mudar; internamente, pra refletir por fora. Depois eu cuido da carcaça. Cê é livre, livre mesmo, pra escolher ir comigo ou ficar. Mas também sou livre, e digo logo: ficar, eu não fico. Pra me acompanhar tem que se sentir livre ao ponto de ver mais claro e tirar a pedra da frente mesmo, aguentar a dor pra sentir a brisa e enfim pensar no que está fazendo da vida. Vou repetir que te amo. Mas isso não é nenhum tipo de pressão, porém, um convite - você pode dizer não, mas eu não pude deixar de convidar. 
Já tá tarde, e agora tenho que fazer as minhas malas, despregar as nossas fotos da parede e colocar seus bilhetinhos e cartas na mala. Só pra lembrar, sabe? Era lindo. Era tudo. Mas chegou a hora de partir. Tô no aguardo. Com amor.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Do amor e da esperança... e de nós dois


E então, aquelas esperanças caem num vão. Mas nem com todo o esforço, minha mão não alcança; eu suo, eu tento trazê-las pelas pontas dos dedos... e nada. Só depois me vejo sentada num canto chorando, e não é por ter te visto caminhar para longe, mas sim, por ter ficado aqui, nesse mesmo lugar, ainda tentando te fazer ficar. Com um turbilhão no peito que desce por entre os olhos, tento me refazer e levanto da solidão que, por muito, foi regada à única droga que me entorpecia: você. Ainda não sei por onde, nem se começo; do zero, do meio, ou de quando eu acordei e resolvi deixar-te para trás. No fundo, ainda, me resta uma vontade de continuar - e não recomeçar - mas, por favor, sou feita de carne e osso e não posso ser impecável. 
Dizem que quando vemos uma esperança, jogar açúcar traz coisas boas para a vida. E no nosso caso não foi diferente: eu te açucarei, te cuidei, te pensei e o meu erro foi acreditar que encher você de amor e açúcar traria bons sentimentos, quando na verdade, toda aquela história só serviu pra te afastar de mim. 
Por fim, cá estamos: eu, você e a esperança, morta. Já não há mais motivos para se preocupar. Já não há mais algo que nos una. Do amor, da esperança e de nós dois, só restou  ahistória.