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quinta-feira, 20 de março de 2014

Para, menina.


Ei, percebe uma coisa, menina: você ainda tá jovem. Não para no tempo, achando que isso é o fim do mundo, porque se você desistir agora, de que vai valer o teu esforço até aqui? Sobre aquelas noites mal dormidas, esquece. Sobre aquele choro mansinho e aquele miado baixinho que você deu, pra ninguém ouvir, apaga. Não é assim que se constroem as coisas. Coloca aquele sorriso lindo no teu rosto, menina. Você é radiante. Você tá radiante hoje, também, com esse sorriso torto, cabelo desgrenhado, roupa amarrotada. Quem foi que te disse que pra estar linda, precisa mudar tua essência? Sortudo é quem tem você por perto.
Já te disse que é transparente, né? E é por isso que me apego tanto à sua força de vontade de estar bem, sorrindo, buscando a paz. Sei dos traços do teu sorriso e sei quando é que tá tentando esconder um pouquinho do choro. Adoro quando faz piada das tuas dificuldades e sempre sorri quando almeja um futuro melhor. Ou quando uma criança sorri. Ou quando fala de alguém que realmente quer bem. Essa tua simplicidade me encanta. E tua transparência também. Você é linda e sabe o que é mais lindo nisso? Sua alma brilha pra além do seu corpo. De longe dá pra te ver chegando e me alegrando. Por isso calma, menina. Tá tudo se ajeitando - a passo de tartaruga velha e pesada, mas tá - e eu ainda não sei como, mas o teu meio feliz vai me fazer muito feliz um dia. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Partiu


Dia desses, você disse que eu poderia correr atrás do meu caminho. E que tava mais nem aí pras minhas lágrimas. Disse também que ia ser o bicho que pensava que eu pensava de você. Tava aqui lembrando disso. Agora tá mais claro... pra mim, sabe. Depois que comecei a enxergar melhor, ficou bem claro que não me adiantaria nunca prender você aqui só porque eu te amo. E sim, eu te amo. Ou me acostumei contigo, sei lá. Mas olha, isso não te impede de ir, se quiser. E aí, lembrando daquela noite terrível, abri os olhos pra um tantão de coisas. Bem grande. E aí que não vale nada ser importante pra alguém. E que a decepção é a mesma. E isso me abriu outro tantão de leques indescritíveis, onde senti várias pontadas de dor, pra bem depois sentir o vento no rosto. Tirei uma pedra imensa do meu campo de visão, sabia? E entendi porque nada tinha dado certo mesmo: porque nunca deu, de todo jeito. E doeu. E doeu. E, mais uma vez, doeu.
Não é bem você quem tá livre agora, sabe? Porque na verdade, lá no fundo, eu me prendia muito mais. Tive mesmo que sair do problema pra analisar de outros ângulos... e simplesmente pasmar com a conclusão. Não tem mas, nem meio mas: é preciso mudar; internamente, pra refletir por fora. Depois eu cuido da carcaça. Cê é livre, livre mesmo, pra escolher ir comigo ou ficar. Mas também sou livre, e digo logo: ficar, eu não fico. Pra me acompanhar tem que se sentir livre ao ponto de ver mais claro e tirar a pedra da frente mesmo, aguentar a dor pra sentir a brisa e enfim pensar no que está fazendo da vida. Vou repetir que te amo. Mas isso não é nenhum tipo de pressão, porém, um convite - você pode dizer não, mas eu não pude deixar de convidar. 
Já tá tarde, e agora tenho que fazer as minhas malas, despregar as nossas fotos da parede e colocar seus bilhetinhos e cartas na mala. Só pra lembrar, sabe? Era lindo. Era tudo. Mas chegou a hora de partir. Tô no aguardo. Com amor.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Do amor e da esperança... e de nós dois


E então, aquelas esperanças caem num vão. Mas nem com todo o esforço, minha mão não alcança; eu suo, eu tento trazê-las pelas pontas dos dedos... e nada. Só depois me vejo sentada num canto chorando, e não é por ter te visto caminhar para longe, mas sim, por ter ficado aqui, nesse mesmo lugar, ainda tentando te fazer ficar. Com um turbilhão no peito que desce por entre os olhos, tento me refazer e levanto da solidão que, por muito, foi regada à única droga que me entorpecia: você. Ainda não sei por onde, nem se começo; do zero, do meio, ou de quando eu acordei e resolvi deixar-te para trás. No fundo, ainda, me resta uma vontade de continuar - e não recomeçar - mas, por favor, sou feita de carne e osso e não posso ser impecável. 
Dizem que quando vemos uma esperança, jogar açúcar traz coisas boas para a vida. E no nosso caso não foi diferente: eu te açucarei, te cuidei, te pensei e o meu erro foi acreditar que encher você de amor e açúcar traria bons sentimentos, quando na verdade, toda aquela história só serviu pra te afastar de mim. 
Por fim, cá estamos: eu, você e a esperança, morta. Já não há mais motivos para se preocupar. Já não há mais algo que nos una. Do amor, da esperança e de nós dois, só restou  ahistória.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Voe.


Não se trata de partir ou te deixar partir. Há muito mais envolvido nesse nosso intervalo de tempo. Se trata do quanto eu te amo e do quanto vai me doer ter que te ver partir. Mas é que você já está indo embora aos poucos. Todo dia tenho um pouco menos de você aqui comigo. Dói, e quando digo que dói, trata-se de uma dor física. Você diz que me ama, mas não vejo isso. Não digo de provas, digo do quanto seus olhos me mostram o contrário. O amor não tem que ser provado, mostrado às pessoas que não fazem parte dele. Mas, se eu te amo, tenho ao menos que te fazer ver o tamanho desse amor. Enquanto isso, te vejo escapar por entre meus dedos. Se vou te prender? Não acredito que isso seja algo que gostaria que você fizesse, se fosse eu quem estivesse a escapar de suas mãos.
Chove, lá fora e aqui dentro de mim. Dizem que chuva é tristeza e se for verdade, não preciso explicar o porquê chove aqui dentro de mim. Parece que você se foi. Parece que não volta mais. E não tenho motivos pra fazer ficar alguém que só quer ir. Não se pode amar sozinho. Quando se trata de amor, só de um dos dois estar feliz, já basta. Mesmo que isso sacrifique a felicidade do outro. Não adianta ser egoísta nessas horas. Deixo-te ir com um aperto no peito, porque todo mundo traz um pouco de egoísmo em si. Espero que depois de algum tempo o sol possa aparecer aqui dentro outra vez.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vontade.


De sair por aí, dentro de um carro ou andando; só pra conseguir sentir o vento batendo no rosto e a força do sol na pele. De correr e gritar e pedir pra todo mundo ter um sonho. De realizar, pra cada um, qualquer desejo bobo, desde que seja pra fazer o bem. De colocar um sorriso na boca de alguém. De amar e ser amada e de não haver o mal no mundo. Veja só, que vontade mais sem pé nem cabeça! De que as crianças sejam puras e os adultos, responsáveis. De ter o brilho no olhar, pra todo mundo. De acabar com as dores e toda aquela história de luto. De compreender a morte e não mais provocá-la. De um carinho ou um afago ou dos dois. De tirar todo o rancor de dentro do peito, pra poder ser feliz.
De enfiar o pé na lama e na jaca e no céu. De abraçar a mãe, o pai e o mundo. De correr contra o tempo. De sentir os raios do sol tocando a pele e poder ver, através dos óculos e dos olhos, a felicidade. De brincar de boneca aos 30, de fingir ser um médico aos 10. De sempre ter um pouco de criança na gente. De cantar e desafinar e desentoar, mas cantar. De dançar fora do ritmo e com o corpo todo duro, mas dançar. De comer todo o chocolate que tiver em casa. De tocar no seu íntimo com os olhos. De viver. De ser livre.